E, de novo, sou eu aqui. Lutando contra as formigas que se proliferam, vindas dos subterrâneos (talvez de mim mesmo?). Sou eu aqui, de novo, amargando a tua ausência enquanto tropeço nos móveis tentando desviar deles (ou de você?). Sou eu, tantas vezes, te procurando naquilo em que você não está: um segundo prato sujo, um copo a mais, e mesmo duas cadeiras (pra que, se como em pé?), um par, aquilo que não somos. Na louça suja à deriva na pia; nos ciscos cotidianos que invadem a casa, de janelas sempre abertas (virá como o vento?); na poeira que trago da rua ao entrar calçado em casa: não habitas na minha sujeira. Mas também nas plantas que cultivo (mesmo as de plástico?); no lençol lavado, limpo de véspera; no cheiro doce de almíscar, que se espalha pela casa: não apareces na minha paz.
De novo, aqui, só eu: o sentimento guardado, o trago já de eras; A espera, tantas vezes anunciada e sentida, escondo nas gavetas bagunçadas; teu gosto, tua cor, aquilo que te falta: eu já o pressentia. Eu, só: mas também você.
Apesar desse conjugado (qual verbo conjugaríamos?) de quarto e sala; afora os 28m2; tudo indica que me sobra espaços (cá dentro eu poderia te perder?), os quais preencho com caixas, todas vazias, onde guardo também o amor ainda com cheiro de novo. Eu, de novo. Aqui: em mim.
Apesar desse conjugado (qual verbo conjugaríamos?) de quarto e sala; afora os 28m2; tudo indica que me sobra espaços (cá dentro eu poderia te perder?), os quais preencho com caixas, todas vazias, onde guardo também o amor ainda com cheiro de novo. Eu, de novo. Aqui: em mim.