São duas horas no relógio quebrado. O frio brinca na tua pele desagasalhada. Pela rua, carros passam. Voltar para casa é o clichê. Por todos os lados, gente: riem na madrugada em neblina. Pergunto-nos: o que será de nós? É madrugada e bons ventos te levam. Na boca em vez de um beijo, um chiclé de menta. Você volta para casa. Clichê. Faz frio e marca duas horas no relógio abandonado. Peço que te esqueças. Você não pode. A cidade embarulhada, humana em demasia, te recorda de pequenos feitos. E aquela música te pesa aos ouvidos. E a mochila te assombra os ombros. É madrugada e os estabelecimentos se fecharam para o descanso. A porta range. Silêncio. A casa vazia me impede o grito. Eram duas horas no relógio perdido. Quantas serão até amanhã? Meço um sussuro e um café. Perdi. Sinto que perco sempre. Meus olhos, peregrinos inconfidentes, me levam para casa.
É tarde, amanhecerá.