Talvez você possa dizer que me ama, que sente minha falta, que sem mim é difícil, ou não... Não, não diga nada. Segura minha mão. Segura agora. Segura forte! Segura e me olha como você olha quando quer dizer algo e não diz. Só não diz porque não sabe mesmo o que dizer, ou não diz porque quer que eu descubra. Não, melhor não. Melhor evitarmos essas coisas que a gente sente dentro da gente. Melhor mesmo é a gente se fingir de triste, triste ou feliz, tanto faz, mas o melhor é fingir. Finge pra mim, finge que tudo vai dar certo e que essa coisa toda vai bem. Não, não tô te dizendo pra mentir pra mim. Não minta. Sim, é melhor. É melhor que você viaje. Sim, é melhor. É melhor que você publique fotos em suas redes sociais, com legendas do tipo "eu me divertindo muito em porto de galinhas", ou "tô adorando essa cidade" e, ao fundo, qualquer cenário do tipo Angra dos Reis, ou qualquer lugar paradisíaco, desses que você gosta, que faz questão de dizer que gosta. Depois você volta. Volta e não diz que voltou porque sentiu minha falta. Volta e diz que "as oportunidades não são tão boas quanto aqui" e esse blablabla todo que eu mesmo vivo repetindo. Volta e não me conta, pra eu te encontrar por aí, nesses mesmos lugares que a gente insiste em frequentar. Não, melhor você me mandar uma dessas mensagens bonitinhas, dessas que você manda quando quer dizer alguma coisa e não pode perder o momento. Talvez, se você mandasse... talvez, talvez tudo seria diferente. Não seria. Eu sei que não seria. Agora, no playlist toca Aquellas Pequeñas Cosas. Ela está muda. Acendo um cigarro. Ela olha. Acho lindo o jeito como você segura o cigarro entre os dentes. Não temos mais assunto. Brincamos demais. E então ela se balança, doce balanço, uma dança silenciosa. De olhos fechados, um sorriso discreto, desses de canto de boca, ela sussurra. Eu já não escuto. Ninguém escuta.Como hojas muertas que el viento arrastra allá o aqui, que te sonríen tristes y nos hacen que lloremos cuando nadie nos ve...Ninguém escuta.