Dissonância

Não haveria motivo para tanto: Era um pouco de alguma coisa que se desvendava inerte. Não, era possível que as coisas todas ficassem como estariam. Em algum canto empoeirado há algo de novo te esperando, mas você não vejo. Roda pela sala, danço, em busca dos tantos mistérios escondidos na lâmpada quente, nos fios que conduzem energia, lá íamos. Iam nossas interfaces, nossos subterfúgios. E você se perdeu. Dentro de si mesma você me perdeu. Tantas vezes eu tentei outra postura contigo. E no fim das contas éramos apenas nós dois: Absurdos em nós. Mas você me crê falso, e eu te creio arredia. Ambos, perdidos dentro de mim, de você. Já agora não poderíamos mais nos dissociar do hábito de uma outra face. Você, quando assumia a minha e eu quando assumia a sua. Mas você assumira a sua, e eu já me perdia, por que quem assumiria a minha? De repente penso no que poderá me acontecer se eu te acontecer. Penso no que poderá nos acontecer se nos perdermos, assim, como quem perde as chaves de casa. Suplico um tanto de abandono de mim, para que eu seja em você. Sugiro um tanto de desprezo de você, para que seja em mim. Mas tudo se transita. E se perder um pouco é um desejo da minoria de todos. Eu já me perdi em explicações. E você já me perdeu em qualquer outra coisa, mesmo não tendo me perdido aí, dentro de você. Eu já te perdi para a outra situação. Eu, já te entregue às moscas, espero tua renovação arbitrária. Coisa de um tempo que não virá mais, pois quando veio já o enxotamos. E de tudo isso que poderia ser, acabou s'ido.